Domingo, 05 de setembro de 2010.

Doenças Mais Comuns

HIPERTROFIA DA GLÂNDULA LACRIMAL (CHERRY EYE)
O prolapso da glândula lacrimal da terceira pálpebra (membrana nictitante), também conhecido como hipertrofia da glândula lacrimal ou “olho de cereja” (cherry eye), é uma afecção freqüentemente observada nos mastinos napoletanos. Acredita-se que o tecido conjuntivo localizado entre a base da glândula e o tecido periorbital seja pouco desenvolvido nos cães com prolapso e que esta alteração possa ser de origem congênita ou hereditária. Os sintomas observados são a presença de uma massa avermelhada no canto medial do olho acometido, podendo estar associadas conjuntivite e epífora. A inflamação secundária e edema resultam da exposição da glândula. Os animais jovens são os mais comumente acometidos e dentre as raças predispostas podemos citar o Mastino Napoletano, Cocker Spaniel, Beagle, Bulldog Inglês, Lhasa Apso, Basset Hound, Sharpei, Boston Terrier e Shih Tzu. A excisão cirúrgica da glândula prolapsada é um dos tratamentos de escolha. Entretanto, alguns veterinários desaconselham a sua remoção cirúrgica e acham que o reposicionamento cirúrgico da glândula ou a manutenção desta, mesmo prolapsada, podem ser preferíveis à sua remoção, por ela ser importante contribuinte na produção do filme lacrimal e, desta forma, a sua remoção poder ocasionar o desenvolvimento de ceratoconjuntivite seca. Contudo, outros profissionais citam que a glândula prolapsada não tratada pode também ser causa de ceratoconjuntivite seca. Além disso, o alto índice de recidivas no tratamento cirúrgico com o reposicionamento da glândula sugere que talvez o melhor tratamento seja realmente a sua remoção cirúrgica. A porcentagem de produção lacrimal em cães se divide em: 70% originada da glândula lacrimal principal e 30% originada da glândula da terceira pálpebra (SAITO et al., 2001; GELATT, 2003). Assim, a remoção cirúrgica da glândula da terceira pálpebra diminuiria cerca de 30% da produção lacrimal, o que em geral é bem tolerado pelos animais. A terapia com colírios antibióticos e antiinflamatórios à base de esteróides não resulta na resolução do prolapso. Contudo, estes medicamentos devem ser utilizados no período pós-operatório por 5 a 7 dias. A tendência atual, que também é a nossa preferência e de alguns outros criadores, é para a excisão cirúrgica da glândula da terceira pálpebra.
      
CONJUNTIVITE
A conjuntivite caracteriza-se por presença de secreção ocular (serosa ou purulenta), vermelhidão e edema da conjuntiva, intolerância à luz e piscar constante. A conjuntivite geralmente tem origem infecciosa (bacteriana, viral ou micótica). Nas etiologias bacterianas temos usualmente presença de secreção ocular mucopurulenta e as bactérias mais freqüentes são os estreptococos e os estafilococos. As causas de origem micótica normalmente aparecem em animais imunodeprimidos, sob tratamento corticoesteróide prolongado ou ainda secundarias a traumatismos. É importante lembrar que a conjuntivite é também um dos sintomas da Cinomose. As conjuntivites bacterianas primárias são raras, sendo geralmente secundárias a corpos estranhos ou doenças palpebrais conformacionais. O entrópio, pela irritação causada na conjuntiva, ocasionada pelo enrolamento da pálpebra sobre a sua face interna, é uma das causas freqüentes de conjuntivite. Finalmente, há a conjuntivite alérgica que ataca animais predispostos portadores de atopia ou que pode ainda ser um fenômeno reacional à administração de medicamentos, produtos de higiene, etc.. Em todos os casos, o tratamento deve visar a remoção do fenômeno que a originou seguido de medicação adequada, de acordo com o agente etiológico, para o controle dos efeitos deletérios dos problemas secundários, como a administração de antibióticos tópicos de largo espectro, agentes fungicidas tópicos, drogas antivirais e antiinflamatórias de uso tópico. A limpeza regular dos olhos com algodão embebido em soro fisiológico 0,9% ou água boricada também é parte importante do tratamento.
       
ENTRÓPIO
O entrópio consiste na inversão para dentro de parte ou de todo o bordo palpebral. No entrópio, as pestanas ou os pêlos do cão ficam em constante atrito com a córnea, irritando a superfície ocular, levando a dor, lacrimejamento, piscar constante, vermelhidão, ceratite e conjuntivite. Se não tratado, o entrópio pode levar à formação de úlceras de córnea que podem evoluir para a perfuração e conseqüente perda do globo ocular.
O entrópio pode ter três origens:
1. Congênito - A doença é mais comum em raças que tenham pele solta e olhos caídos como o Mastino Napoletano, Sharpei e o Basset Hound, embora também possa ocorrer em outras raças como o Labrador.
2. Reflexo ou Espástico – Decorre de uma violenta dor ocular que provoca um blefaroespasmo, isto é, uma contração do músculo orbicular das pálpebras, causador do fechamento do olho. Pode ser devido a uma úlcera da córnea, à presença de um corpo estranho no olho, a uma ceeratite ou conjuntivite crônica.
3. Adquirido - É o mais raro e ocorre em conseqüência de uma cirurgia palpebral mal feita ou de um entrópio reflexo persistente.
O entrópio congênito somente pode ser corrigido por cirurgia que tem por objetivo corrigir a inversão do bordo palpebral a fim de evitar os traumatismos causados à conjuntiva e à córnea pelas pestanas e pêlos. O tratamento cirúrgico consiste em se recortar pedaços elípticos da pele da pálpebra com problema e em seguida suturar as bordas da ferida operatória, reposicionando a pálpebra em seu devido lugar. Esta cirurgia deve ser realizada com anestesia geral. Ao final de mais ou menos duas semanas, verifica-se a regressão total dos sintomas. Durante a fase de cicatrização, deve ser colocado no cão um colar de proteção para evitar que se machuque ao se coçar.
 
ECTRÓPIO
É a má-formação inversa do entrópio. O bordo palpebral, virado para o exterior, deixa de proteger a conjuntiva. O ectrópio afeta apenas a pálpebra inferior. Pode ser congênito ou adquirido. O ectrópio congênito observa-se principalmente em cães de pele solta, como o São Bernardo, o Cocker e o Mastim Napolitano. Além do característico olho triste, os sintomas clínicos, pelo fato da pálpebra inferior não conseguir reter a película lacrimal, são o lacrimejamento constante e a vermelhidão da conjuntiva permanentemente exposta às agressões do meio exterior. O ectrópio adquirido é conseqüência de uma cicatriz que repuxa a pálpebra inferior, quer devido a um traumatismo ou a uma correção exagerada numa intervenção cirúrgica de entrópio. O tratamento consiste em manter os olhos sempre limpos usando-se algodão embebido em soro fisiológico 0,9% ou água boricada e tratar precocemente as conjuntivites. A intervenção cirúrgica só se impõe realmente em casos graves. A maioria dos animais acostuma-se a conviver com um ectrópio leve. A operação, quando necessária, é realizada com anestesia geral e consiste em elevar a pálpebra inferior por diversos processos. Deve ser usado colar de proteção durante o tempo de cicatrização.
    
PAPILOMATOSE (Verrucose ou Figueira)
Os papilomas (verrugas) são formações de aspecto vegetante e duro, com superficie áspera e friável, que surgem na camada superficial da pele. Sua coloração varia do branco cinza ao negro. Os papilomas frequentemente observados na cavidade bucal (língua, pálato, faringe, gengivas e região labial) possuem distribuição em placas ou massas lembrando a forma de uma couve-flor. A papilomatose é transmitida por um vírus do tipo DNA, denominado Papovavirus. Aproximadamente 4 semanas após o contágio, o animal manifesta os primeiros sintomas da doença. Geralmente o animal apresenta salivação constante de odor fétido com sangramento e dificuldade para ingerir alimentos. O tratamento cirúrgico é a eletrocauterização que deve ser realizada com anestesia geral. Mesmo após a remoção cirúrgica, há a possibilidade de recidiva. Os medicamentos à base de Arsenicais (Licor de Fowler) e Clorobutanol são úteis para os animais expostos ao contágio. Podem ser aplicados no local das lesões e apresentam uma ação bloqueadora do crescimento viral. Pode também ser utilizado tratamento por via oral com tintura de Thuya occidentalis à 20%. Deve-se diluir 10 ml da solução na água do bebedouro durante 10 dias. Para os casos rebeldes, de difícil cura, o tratamento mais recomendado é, sem dúvida, a autoimunoterapia, utilizando-se a verruga do próprio animal para a fabricação da vacina. É feito um triturado de algumas verrugas, adicionadas substâncias para neutralizar o poder de contágio do vírus, sem alterar a capacidade de produção de anticorpos. O animal então recebe doses crescentes da vacina em intervalos regulares. Desta forma, em curto espaço de tempo, ocorre a cura definitiva da doença.
       
HIGROMAS (Calos nos cotovelos dos cães)
Os cães de grande porte têm, com freqüência, uma protuberância esquisita no cotovelo, como um calo esponjoso, chamada de higroma. O higroma é uma reação natural ao trauma repetitivo em uma área do corpo onde os ossos ou cartilagens estão muito próximos da superfície, como é o caso dos cotovelos. São como uma bolha de líquido seroso encapsulada por um calo e aparecem como a defesa que o organismo do animal constrói p/ "acolchoar” a área sujeita a atrito constante; é muito semelhante às bolhas e calos humanos. A maioria dos cães com higromas são animais saudáveis, grandes e pesados. O excesso de peso aumenta a possibilidade de surgirem higromas, mas mesmo cães magros podem apresentá-los. O mais comum é que se desenvolvam em cães idosos, por serem mais inativos e ficarem deitados por mais tempo. Normalmente não se indica a remoção cirúrgica, punção/aspiração ou drenagem do higroma por duas razões: A primeira é que o higroma é uma proteção do corpo e o cão provavelmente voltará a desenvolvê-lo. A segunda é que o risco de contaminação e infecção ao se puncionar ou ressecar cirurgicamente é grande. Além disso, uma sutura cirúrgica no local sujeito constantemente a atrito e traumatismos terá grandes problemas para cicatrizar. É claro que, caso eles cresçam de forma descontrolada e/ou se apresentem inflamados e/ou contaminados, deverá ser indicada sua remoção cirúrgica.
O tratamento para os higromas não infectados é a redução do trauma repetitivo no local. Diminuir um pouco o peso do animal e alcochoar a área onde o cão fica a maior parte do tempo e o local onde dorme, ajudam a diminuir o problema. Esta é a opção mais fácil, uma vez que a maioria dos cães se recusa a permanecer com cotoveleiras protetoras. Na grande maioria dos casos, o trauma e a inflamação são mínimos e o calo é apenas uma proteção natural, ainda que talvez desagrade esteticamente aos mais sensíveis ou ignorantes. Todos os cães adultos de grande porte têm, em graus variáveis, esta proteção natural desenvolvida em seus cotovelos. Portanto, o higroma não deve ser removido exclusivamente por razões estéticas.
   
BERNE
Dermatobia hominis é a espécie, que no Brasil recebe o nome de berne (na região Amazônica é conhecida pelo nome de ura). Quando adulto, o inseto pode medir de 14 a 17 mm. Os ovos dessa mosca são transportados por outras moscas ou mosquitos até os locais em que são depositados, vindo a produzir a doença.
Como todo inseto, seu ciclo evolutivo passa por fases. Os insetos adultos alados acasalam-se e dão origem a ovos que são postos pelas fêmeas. Na época da postura a Dermatobia fica à espreita de outras moscas e mosquitos. Quando consegue agarrar um inseto, cavalga-o rapidamente, e presa a ele, alça o vôo durante o qual deposita seus ovos, que, graças a uma substância especial que os reveste, ficam solidamente aderidos à parte lateral do abdome desses outros dípteros (insetos com duas asas), como moscas silvestres, a mosca doméstica (Musca doméstica) e culicíneos (família a que pertencem os pernilongos). 
São estes outros insetos, e não a própria Dermatóbia, os veículos que colocam seus ovos em contato com a pele de outros animais (inclusive o homem). Desta forma, a Dermatobia consegue chegar até os animais visitados assiduamente por moscas e pernilongos.
Quando penetram na pele, eclodem em larvas denominadas de berne. No local em que se alojam após a penetração na pele, estas larvas vão se desenvolvendo às custas da própria carne de suas vítimas, pois o tecido vivo é o seu alimento. Após cerca de 40 dias completam seu desenvolvimento (em alguns casos levam até 70 dias) e deixam o local em que estavam alojadas. Ao cair no solo, transformam-se em pupas, que após alguns dias dão nascimento ao inseto adulto, que novamente repetirá um novo e idêntico ciclo.
O tratamento para o berne consiste na sua retirada da pele do cão. Pode ser usado um bernicida localmente. Esprema devagar e firmemente o local e puxe o berne cuidadosamente com uma pinça para que ele não se arrebente.
 
BICHEIRA (Miíase Cutânea)
Bicheira ou miíase é a proliferação de larvas de moscas em tecidos vivos. Esta doença ocorre quando a “mosca varejeira” ou “mosca verde” pousa sobre um ferimento de um animal, depositando dezenas de ovos que irão eclodir, transformando-se em inúmeras larvas que se alimentarão de tecido vivo (miíase cutânea) e, que se não forem exterminadas com rapidez, em pouco tempo cavam verdadeiras galerias sob a pele causando lesões e um incômodo muito grande ao animal. As lesões, quando não tratadas, podem chegar a atravessar a musculatura do animal e atingir órgãos vizinhos, transformando-se em miíase cavitária.
As larvas das moscas também podem se proliferar em tecidos não lesados, quando a pele do animal apresenta dermatites exsudativas (que produzem líquidos). Também se proliferam em animais que vivem em locais anti-higiênicos, cujos pêlos estejam sempre molhados por urina ou fezes.
Uma das maneiras de se evitar que o animal venha a desenvolver miíase é mantê-lo sempre em locais com boa higiene e cuidar para que seus ferimentos, por menor que sejam, sejam tratados e protegidos de moscas. A aplicação de repelentes no corpo do animal e nas bordas de feridas ajuda a evitar que as moscas depositem seus ovos ali. Para manter as moscas distantes, evite deixar latas de lixo destampadas e retire sempre as fezes do canil, desinfetando o local com hipoclorito ou creolina diluída em água. Outra estratégia para evitar as moscas é pendurar sacos plásticos transparentes cheios de água, em pontos estratégicos do local (elas são atraídas pelo reflexo da luz solar e deixam seu cão em paz).
Se você perceber que seu animal anda lambendo muito uma área determinada do corpo, cuidado! Pode ser o primeiro sinal. Fique alerta e verifique, pois a miíase é fácil de ser detectada. Ela cheira mal, além de deixar pequenos orifícios na pele.
Para o tratamento da bicheira aplique um produto “mata-bicheira” no local (por exemplo, BERTAC, PRADOCID, FAGRA), aguarde alguns segundos e vá retirando os bichos com pinça, fazendo novas aplicações do produto para que os bichos venham à superfície da ferida, facilitando assim a sua remoção com a pinça.
 
DISPLASIA COXOFEMORAL
Displasia coxofemoral é a má formação das articulações coxofemorais, incidindo principalmente nas raças grandes e de crescimento rápido. Sua transmissão é hereditária, recessiva, intermitente e poligênica. Fatores nutricionais, biomecânicos e de meio ambiente, associados à hereditariedade, pioram a condição da displasia. Os sintomas se tornam evidentes, sobretudo entre os quatro primeiros meses e um ano de vida do animal e são notados quando o cão apresenta, devido às dores, algumas diferenças em seu comportamento habitual, como dificuldades de locomoção, principalmente em pisos lisos e escorregadios, dificuldades para se levantar, correr, subir escadas, frear rapidamente, etc.. Além disso, ele pode apresentar um andar cambaleante, passar a arrastar as unhas traseiras no chão, arquear o dorso ao menor sinal de dor e apoiar todo seu peso nas patas dianteiras, o que acaba causando a atrofia das patas traseiras. Há também casos em que o cão é displásico, mas não apresenta nenhum sintoma clínico.
A suspeita diagnóstica ao exame clínico é possível, mas é o estudo radiográfico com o correto posicionamento do animal, feito normalmente a partir dos doze meses completos de idade na maior parte das raças, que define o diagnóstico. A subluxação, normalmente é o primeiro sinal radiográfico. O índice de Norbeg é utilizado para o seu diagnóstico. Por ser uma doença praticamente irreversível, quanto mais cedo ela for diagnosticada, maiores serão as chances de que o animal doente tenha uma qualidade de vida satisfatória.
O tratamento da doença pode ser medicamentoso ou cirúrgico. No tratamento medicamentoso são utilizados antiinflamatórios, analgésicos e esteróides, sempre sob a supervisão de um veterinário. Estas drogas são capazes de amenizar a dor do animal, possibilitando uma melhor movimentação. Recentemente o tratamento medicamentoso tem se baseado em produtos com capacidade anabolizante da cartilagem articular degenerada. É recomendável o repouso e a diminuição das atividades físicas habituais. No tratamento cirúrgico, indicado para os casos de maior gravidade, dentre outras possibilidades, pode ser implantada, uma prótese total da articulação lesada ou, em casos extremos, a amputação da cabeça do fêmur.

À esquerda observa-se desenho de uma articulação coxofemoral normal e anômala à direita. Forças articulares anormais inclinam para baixo a cabeça e colo femorais, modificam a anatomia da cavidade acetabular, rompendo o ligamento redondo e espessando o colo femoral.
 
HIPOTIREOIDISMO
O hipotireoidismo é a endocrinopatia mais frequentemente diagnosticada no cão. Resulta da produção e liberação inadequadas de Tetraiodotironina (Tiroxina ou T4) e Triiodotironina (T3) pela glândula tireóide. Em cães, o hipotireoidismo primário é a forma mais comum da doença, sendo decorrente de problemas na própria tireóide. Geralmente esta doença é resultante de tireoidite linfocítica ou de atrofia da glândula tireóide. Os hormônios da tireóide são necessários para o funcionamento normal do metabolismo celular e uma deficiência de hormônios da tireóide afetará o metabolismo de todos os órgãos e sistemas. Conseqüentemente, os sintomas apresentados serão muito variáveis e inespecíficos. Não existe um sintoma específico que defina e diagnostique a doença, mas sim uma série de sintomas que quando presentes, fazem com que o médico veterinário suspeite de hipotireoidismo e realize os exames necessários para confirmar o diagnóstico. Os sintomas mais comuns são: letargia, inatividade, ganho de peso, perda ou queda excessiva de pêlos, falta de crescimento dos pêlos depois da tosa, pelagem seca ou sem brilho, hiperpigmentação, infecções de pele recorrentes e intolerância ao frio. Outros sintomas menos freqüentes são: fraqueza generalizada, má coordenação motora, paralisia facial, convulsões e infertilidade.
Os testes que medem as concentrações de T4 e T4 livre, juntamente com a concentração endógena de TSH, são os mais recomendados para a determinação da função da tireóide em cães com suspeita de hipotireoidismo. A dosagem sérica de T3, não é recomendada para avaliação da função tireóidea em cães. A dosagem de T4 total é um teste de triagem excelente para a disfunção tireóidea canina. Um cão com concentração de T4 total dentro da variação de referência (1,0 a 4,0µg/dl) pode ser considerado como eutireóideo. As concentrações séricas de T4 total não diferem entre machos e fêmeas, mas são maiores nos cães pequenos do que nos cães de raças médias e grandes. Durante o diestro e a prenhez, as concentrações de T4 total estão aumentadas. Aumentos moderados de T4 total também podem ocorrer na obesidade. Um aspecto importante é verificar se os exames realizados são específicos para a espécie canina, isto é, se foi utilizado o sistema "humano" ou um sistema válido para a espécie canina. A razão para esta preocupação é devido ao alto valor basal do TT4 humano, que varia de 40 a 100 ng/ml, enquanto que nos cães, ele varia de 15 a 35 ng/ml. Sendo assim, se um sistema humano for usado, muitos casos de hipotireoidismo passarão despercebidos devido à reduzida sensibilidade do teste na presença de baixos valores.
A suplementação hormonal é indicada para o tratamento dos casos de hipotireoidismo confirmado e presuntivamente como diagnóstico terapêutico para avaliar a resposta clínica do animal ao ensaio terapêutico. A terapia inicial envolve a administração de uma Tiroxina sintética. O tratamento inicial de escolha é a L-Tiroxina sintética, porque resulta na normalização tanto das concentrações de T4 quanto das concentrações de T3. A dose e a freqüência ideais da suplementação variam entre os cães por causa da variabilidade na absorção da L-Tiroxina e da meia-vida sérica. O tratamento deve ser iniciado com uma dose de 0,02 mg/kg por via oral cada 12 horas, e em seguida a dose deve ser ajustada com base nos resultados do monitoramento terapêutico. A melhora na atividade deve ocorrer após uma a duas semanas de tratamento e a melhora na pelagem, no peso corpóreo e nas anormalidades clinico-patológicas deve ser evidente em quatro a seis semanas. A pelagem inicialmente pode piorar, já que os pêlos telogênicos caem. A inversão da pigmentação cutânea, as modificações miocárdicas e as anormalidades neurológicas podem demorar alguns meses. A expectativa de vida de um cão adulto com hipotireoidismo primário que está recebendo tratamento adequado deve ser normal. Apesar da maioria dos sinais clínicos desaparecer com o tratamento, problemas osteomusculares, principalmente osteoartrite degenerativa, podem ocorrer em virtude de desenvolvimento ósseo articular anormal.
 
ACNE
Não são apenas os humanos que sofrem com esse problema. Os cães também podem ter acne durante o seu período da puberdade. Da mesma forma que a humana, a acne canina pode aparecer em função de algumas mudanças hormonais que acontecem entre os 4 e os 12 meses, mas também pode ocorrer na fase adulta. Geralmente nos cães esse problema aparece em raças de pelo curto, como é o caso dos boxers, dobermans, bulldogues e mastinos napoletanos.
O local onde a acne aparece também coincide com o local onde mais aparece nos humanos: o rosto. Nos cães é mais comum sua presença na região próxima ao mento, na pele ao redor dos lábios e focinho. Podem aparecer um ou vários nódulos inflamados e pústulas. Ao serem apertadas, as lesões expelem pús e sangram. Alguns nódulos podem apresentar um material preto, com aparência de um pelo duro, chamado de comedão. A acne em sua forma mais leve, normalmente desaparece naturalmente com a idade, bastando a limpeza diária do local com antissépticos e, se necessário, a drenagem das pústulas. A escovação regular do pelo do animal é importante pois permite eliminar os pelos mortos e faz com que a secreção sebácea se desprenda da glândula e tonifique a pele. Nos casos mais graves, com muitas lesões, será necessário o uso de antibióticos por via oral, antissépticos e pomadas à base de Peróxido de Benzoíla e Eritromicina. A acne em animais pode, às vezes, ser confundida com outras doenças de pele. É importante consultar seu veterinário.
 
TORÇÃO GÁSTRICA
A torção gástrica é a rotação do estômago sobre ele mesmo devido à sua distensão ou dilatação. É uma situação que representa grande risco à vida dos cães e ocorre mais freqüentemente em animais de porte grande e com “peito profundo” como São Bernardo, Dogue Alemão, Mastino Napoletano, etc..
Esta dilatação do estômago pode ser causada por vários motivos como, por exemplo, a aerofagia (que ocorre quando, por comer muito rapidamente, o cão ingere grande quantidade de ar juntamente com o alimento), a ingestão de alimentos secos, a prática de exercícios físicos logo após as refeições, a ingestão excessiva de água ou alimentos ou, até mesmo, devido a algum fator genético.
Por tratar-se de uma situação de emergência, se os sintomas não forem percebidos rapidamente e o cão não for encaminhado ao veterinário com a máxima rapidez, a torção gástrica pode, em apenas 3 horas, levar o animal ao estado de choque e até mesmo matá-lo. Isso se deve ao fato de que a torção gástrica pode provocar a necrose do órgão pelo estrangulamento e conseqüente isquemia da parede estomacal.
Os sintomas mais freqüentes são: dificuldades para respirar, salivação excessiva, distensão abdominal com timpanismo, pulso fraco, náuseas sem que o cão consiga vomitar, palidez das mucosas (olhos e boca), inquietação, aumento dos batimentos cardíacos e até mesmo a perda de consciência.
Uma vez percebidos os sinais, o proprietário deve levar o animal o mais rapidamente possível ao veterinário para que sejam prestados os primeiros socorros e, logo após estabilizada a situação, seja realizado o tratamento cirúrgico. Todos os  cães, uma vez estabilizados, devem ser submetidos  à cirurgia. O tratamento cirúrgico consiste em desfazer a torção gástrica e realizar uma gastropexia, ou seja, realizar a fixação do estômago em sua posição normal, de modo que não possa ocorrer uma nova rotação. Em casos com necrose e/ou ruptura do órgão, pode ser necessária sua retirada parcial ou total.
No caso da torção gástrica, pela sua gravidade, a prevenção é o melhor remédio. Assim sendo, aconselha-se fracionar a dieta e evitar alimentar o cão com grandes quantidades de ração de uma única vez. Deve-se também, evitar a ingestão excessiva de água após as refeições e não permitir que o animal faça exercícios físicos bruscos logo após ter se alimentado.
 

Contato

Telefone
(47) 3467-9472
(47) 9984-3937