Terça-feira, 07 de setembro de 2010.

Vacinação

A vacinação é um dos cuidados mais importantes que devemos ter com nossos cães. Através da vacina, o sistema de defesa do animal é estimulado a produzir anticorpos contra diversas doenças.
Logo que nascem, os cachorros recebem anticorpos de suas mães através do leite (colostro) que, em geral, são suficientes para protegê-los contra as principais doenças durante os 2 ou 3 primeiros meses de vida. A partir de então, os animais ficam susceptíveis às doenças e precisam ser vacinados para desenvolver proteção mais prolongada. Por esse motivo, a vacinação dos cães deve ser iniciada a partir dos 45 dias de vida, período no qual a imunidade transmitida pela mãe está terminando. Em geral, são recomendadas pelo menos 3 doses de vacina polivalente, iniciando-se ao redor do 45º dia de vida. A vacina polivalente imuniza contra a parvovirose canina, coronavirose, cinomose, adenovirose, hepatite infecciosa canina, parainfluenza e leptospirose. Existem ainda vacinas contra raiva, giardíase e doenças respiratórias, como a gripe canina ou tosse dos canis.
A “memória” do sistema imunológico do animal é relativamente curta. Por isso há necessidade de revacinar os cães anualmente. Sem a revacinação o animal volta a ficar desprotegido. O cronograma de vacinação deve ser seguido rigorosamente em dia para preservar a saúde do seu filhote, evitando que ele se contamine com doenças que podem até levá-lo à morte.
O esquema de vacinação pode variar de acordo com a região onde você se encontra. Porém, lembre-se que independente do lugar onde estiver o médico veterinário é o único profissional habilitado a elaborar um correto programa de vacinação e avaliar as condições de seu filhote, verificando se ele está apto a receber a vacina. É importante também manter atualizada a carteira de vacinação de seu cachorro. Sempre que for ao veterinário vacinar seu cachorro, apresente-a para que ele registre a vacina administrada.
 
DOENÇAS QUE PODEM SER EVITADAS COM A VACINAÇÃO
 
1. Cinomose - A cinomose é uma doença febril altamente contagiosa, transmitida principalmente por via aérea, como a gripe nos humanos. É causada pelo Paramixovírus, que provoca infecção no sistema respiratório, com corrimento nasal e ocular além de tosse, podendo evoluir para pneumonia. Outros sintomas são prostração, diarréia e vômito, com ou sem sangue, perda de apetite, febre, pata grossa e com descamação. A virose pode chegar ao cérebro, levando a problemas neurológicos e causar paralisia. Geralmente a doença é fatal, com pequenas chances de cura. Nos casos em que o cão sobrevive, podem ocorrer graves seqüelas como déficit motor, movimentos involuntários e epilepsia.
 
2. Coronavirose - O vírus causador é o Coronavírus canino, que produz inflamação no estômago, intestinos e fígado. O cão apresenta diarréia (com ou sem sangue) e vômitos, além de perda do apetite e prostração. A probabilidade de cura é alta. Muitas vezes, a Coronavirose está associada à Parvovirose, e é transmitida da mesma forma.
 
3. Parvovirose - O vírus responsável é o Parvovírus canino 2. A Parvovirose é transmitida principalmente pelas fezes de animais doentes que contaminam o ambiente e, consequentemente, outros animais, durante um passeio, dentro de casa ou através da sola de sapatos. É um grave problema em filhotes. Os sintomas são os mesmos da Coronavirose, mas muito mais intensos. A diarréia vem com sangue e com odor muito fétido. O cão vomita, evoluindo com desidratação, depressão e às vezes febre. Há a possibilidade de o músculo cardíaco se inflamar e infeccionar (miocardite) e o cão ter morte súbita. A chance de salvar o filhote é remota e, quando acontece, ele pode apresentar insuficiência cardíaca como seqüela.

4. Leptospirose - Causam a morte por ação de bactérias do gênero Leptospira. Há dois tipos principais de Leptospiras, a Icterohaemorrhagiae e a Canícola. Há ainda tipos menos comuns como a Leptospira pomona e Leptospira grippotyphosa (incluídos na vacina DURAMUNE MAX 5 CvK/4L). Essas bactérias entram no organismo do cão penetrando pelas mucosas ou pele ou por ingestão, através de contato com água contaminada com urina de ratos, animais silvestres ou outros animais. Estão presentes principalmente na urina de ratos ou de cães infestados e em água que a contenha, fato comum quando ocorrem enchentes. O cão apresenta febre alta, icterícia, dores abdominais, petéquias e sufusões hemorrágicas em mucosas, mialgia, desidratação e, no caso da icterohaemorrhagiae, eliminação de sangue na urina e nas fezes. É difícil salvar o animal. Se sobreviver, poderá ficar com problemas renais, como insuficiência renal crônica.

6. Parainfluenza – A Parainfluenza se assemelha muito à gripe humana, sendo transmitida por via aérea pelo vírus que dá nome à doença. É uma doença respiratória que se manifesta por corrimento nasal, tosse, espirros e pneumonia, e pode levar à morte. Outros sintomas possíveis são febre alta e conjuntivite ocular. A probabilidade de salvar o filhote é alta quando o mal não vem acompanhado de outras viroses graves, como a Cinomose.

7. Hepatite infecciosa/Laringotraqueíte (Adenovirose 1 e Adenovirose 2) – A Hepatite Infecciosa é uma doença causada pelo Adenovirus Tipo1 (CAV-1), transmitida por via aérea. Os principais sintomas são febre alta, inapetência, gastroenterite, dor abdominal, desidratação, conjuntivite e opacidade da córnea. A Laringotraqueíte é uma doença causada pelo Adenovirus Tipo 2 (CAV-2), transmitida também por via aérea. Os sintomas principais são tosse, espirros, secreções nasais, hemorragia nasal e da pele, dificuldade respiratória e convulsão, entre outros. A chance de salvar o filhote é pequena.
 
8. Raiva - A raiva é transmitida pela saliva de cães e morcegos portadores do vírus causador, o Rhabdovírus, que atinge de maneira letal o sistema nervoso do indivíduo contaminado. A contaminação ocorre através de mordida ou por contato da saliva com alguma ferida pré-existente. O período de incubação do vírus é de 20 a 60 dias a partir do contágio. Os sinais da doença são perda de apetite, pêlos arrepiados, agressividade, salivação intensa, pupilas dilatadas, latidos agudos, hidrofobia (o cão evita o contato com a água) e convulsões. Nesse estágio, só resta a eutanásia, pois não há mais chances de cura. Porém, se a doença for tratada no início, é curável. Por isso, tanto o homem quanto o cão, ao serem mordidos por animais suspeitos, devem ter a ferida lavada com água e sabão e ser imediatamente submetidos a tratamento (o homem deve ir a um posto de saúde ou pronto-socorro e o cão a uma clínica veterinária).
 
9. Giardíase Canina - A Giardíase é considerada uma zoonose (doença transmitida ao homem pelos animais). É uma infecção causada por protozoários (Giárdia Lambria) que acometem principalmente a porção superior do intestino delgado. A transmissão da doença entre os animais ocorre através da rota fecal-oral. O hospedeiro se infecta ingerindo os cistos que se rompem no intestino após a exposição ao ácido gástrico e às enzimas pancreáticas. Uma vez instalado no ambiente, a forma infectante do parasita (cisto) é muito resistente, podendo sobreviver por longos períodos, principalmente em ambientes frios e úmidos. Em humanos a transmissão ocorre através da ingestão de cistos dos parasitas presentes na água e nos alimentos contaminados ou pelo contato com as fezes de animais ou humanos contaminados. O período de incubação varia de 1 a 4 semanas. Os sinais mais evidentes são: diarréia ou fezes amolecidas e com odor fétido, acompanhados de dor abdominal intermitente e aguda, associada à desidratação, vômitos biliosos, cansaço, falta de apetite, perda de peso, anemia e fraqueza.
 
10. Tosse do Canil – A Tosse do Canil é uma traqueobronquite infecciosa causada por diversos vírus e bactérias. Embora não afete consideravelmente o estado geral de saúde do cão, esta infecção provoca uma tosse profunda, seca e incomodativa, que se transmite com muita facilidade especialmente em ambientes fechados, tais como canis, daí a origem do seu nome. Os seus agentes causadores mais comuns são os vírus Parainfluenza e adenovirus tipo 2 (não transmissíveis ao homem) e a bactéria Bordetella bronchiséptica (transmissível ao homem, mas na maioria dos casos apenas em pessoas com o sistema imunológico deprimido). Assim como as gripes nos humanos, os males respiratórios debilitam o organismo do cão, facilitando o aparecimento de outras viroses graves ou de pneumonia seguidas de morte. Os sintomas iniciais são corrimento nasal, ocular e febre. Causam perda de peso, prejudicando o desenvolvimento dos filhotes. São doenças tratáveis no início, mas mesmo assim debilitam muito o organismo, podendo abrir portas para outros males fatais.
 
ESQUEMA DE VACINAÇÃO DO ALLEVAMENTO RAZZANTICA
 
POLIVALENTE
Duramune MAX 5 CvK/4L
Dose
Idade
Revacinação
45-60 dias
Após 30 dias
75-90 dias
Após 30 dias
105-120 dias
Anual
 
GiardiaVax
Dose
Idade
Revacinação
150 dias
Após 30 dias
180 dias
Anual
 
ANTI-RÁBICA Rai-Vac I
Dose
Idade
Revacinação
 
180 dias 
  Anual

Bronchi-Shield III
Dose
Idade
Revacinação
 
180 dias 
  Anual
 
CUIDADOS E PRECAUÇÕES:
- Apenas animais saudáveis devem ser vacinados.
- Conservar a vacina entre 2°C e 8°C, evitando o seu congelamento e mantendo ao abrigo da luz.
- Em casos de reação anafilática, administrar epinefrina.
 

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